Há sexta sai à noite
Segunda-feira, 9 Fevereiro, 2009Um trabalho duro nestes tempos de inverno, um trabalho não pago. Fá-lo por pura cidadania. É que assim, se anima a cidade. Deste modo, o centro vive resiste na espera do tempo quente.
Sai à noite para ver os bafos perderem-se no ar e a luzes brilharem desfocadas de tão molhadas, chega a casa encharcado com os pássaros a chilrear.
Sair à noite, no centro da cidade, é um acto heróico. Sabe que não lhe vão dar nenhuma medalha mas, mesmo assim, enfrenta o medo dos outros fechados em casa, de portas trancadas, metidos na ideia da crise. Na rua ele desempata entre as duas centrais de cerveja, está na economia. Na noite ele vê a cidade viva, com putas e tudo, histórias exóticas e comida curda, sítios que não precisam de fechar porque estão sós na rua. Uma rua inteira para um bar, já se sabe, fica cheio e hão de outros chegar.
Penso que se o centro fosse habitado por esse sonho que eles querem eu não tinha lugar para estacionar no Centro do Porto e tinha de ir de táxi como em Lisboa. (E no Porto é muito mais difícil apanhar um táxi.) Se as famílias felizes morassem no centro mandavam fechar os cafés e nós ficávamos no vortex sem nada que fazer, e ainda íamos para casa tentar adormecer.
Aposto que um dia, ainda vão reconhecer que o centro degradado é bom e que na falta de trabalho nos devíamos divertir.
É preciso ser cidadão…
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