Testa da Vaca

G.

Quinta-feira, 12 Fevereiro, 2009

Desce a rua devagar e goza a inércia de um despertar de cidade. Olha para um lado e para o outro, sente o pescoço e o torcer das costas mais do que o acelerar dos corpos que caminham nos passeios. Tudo embala sob os raios de nascente para mais um dia que ainda não preenche o ar com uma sinfonia de barulhos. Da mesma forma que observa as pessoas isoladamente nota que os sons são ainda separados. O passar do autocarro e os ramos das árvores são ainda trechos autónomos em seu redor. Daqui a pouco junta-se um, e mais um acontecer, até que o fundo penetre tudo e os movimentos desenhem uma única acção, aí, mesmo cruzando-se em sentido contrário, os habitantes fazem parte de uma única realidade, onde nenhum gesto se pode compreender sem a devida referência a um contexto de crescente complexidade. E até a própria luz deixará de vir em fios que se estilhaçam nos objectos para iluminar mais de cima os acontecimentos que serão o próprio dia.

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