Testa da Vaca

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Chicago

Quinta-feira, Junho 17th, 2010

Sob a estrutura metálica que eleva os comboios que circulam no centro da cidade vemo-nos dentro dos filmes. Mais uma vez, os filmes não mentem e tudo é como já tínhamos visto. Mas a pobreza tectónica das plataformas serve para desnudar a riqueza decorativa das construções de Mies. Uma desilusão. Salva-se o preto na contraposição: com o vermelho (não o da escultura) mas o dos tijolos de outras construções; com o branco das nuvens que pairam sobre o fim de todos os arranha-céus. Mesmo a aura do Crown Hall fica a perder para aura que se atravessa (de carro ou a pé) sob o loop de Chicago. E é essa energia que Koolhaas quis aproveitar no Centro do Campus do ITT, trabalhando: com a linha (escondendo-a, mostrando-a); com os edifícios existentes (englobando-os funcionalmente, reservando-lhes uma autonomia que os faz participar obliquamente nos pátios do complexo; usando os materiais numa lógica próxima dos passadiços do metro, não se inibindo de “decorar” confortavelmente cada um dos momentos espaciais. As mesmas chapas onduladas parecem falsas no anfiteatro de Gehry e como a arquitectura, ficam a perder, perante o feijão de mercúrio Anish Kapoor. A aura da cidade reflectida numa distorção panorâmica que inclui num primeiro plano os turistas encantados com o monstro que é a cidade. Um mecanismo que assegura a foto na cidade, sem ser preciso pedir a alguém que a tire, sem “timer”. A distorção não deixa de ser real, como um cão deve ver (e ouvir) o dono. Nem todas as obras conseguem esconder a agressividade de uma cidade de arranha-céus que se pode tolerar por um tempo compatível com a agenda de um viajante. Por isso, existe outra Chicago, a de moradias em banda, para não falar na das bandas de casas isoladas. Bairros de uma tranquilidade (que só pode ser falsa) porque se nos engana-mos na direcção; a mesma rua dá-nos uma cidade que, não chegando a compactar-se, é o que já chamaríamos de ‹‹gueto››. Aí, não passeamos a pé e de carro invertemos a marcha cautelosamente. Todas as diferenças, como os distintos modos de conceber as torres, fazem a cidade. As filas para entrar nos restaurantes e os lugares abandonados. A arquitectura que desilude e o Frank Lloyd que fascina. (Por falar nisso, tenho de arrumar as coisas.)

Living in the End Times

Segunda-feira, Junho 7th, 2010

Duas notas portuguesas de Zizek em ‹‹Living in the End Times››, afinal a passagem por Portugal tinha de gerar algumas linhas.

Comparando o fim de Tito, na Jugoslávia de 1980:

‹‹A less cataclysmic example occurred in Portugal, in the last years of the dictator Salazar who ruled the country for decades. He was senile, unable to sustain a meaningful conversation, but the council of minister nonetheless regularly met with him, going through the motions of government debates and decisions, making Salazar think that he was still running the state; after Salazar left, the ministers got down to business and took the real decisions. The reason for this ritual was that the entire ruling clique around Salazar feared the moment which might – as it effectively did – open up a period of uncertainty and the search for political alternatives.››.

A outra nota:

‹‹The fate of the Portuguese language in Angola is exemplary of the paradoxes of decolonization. Prior to decolonization, a large majority of people in Angola spoke their own tribal languages, with only the narrow elite educated by the colonizers speaking Portuguese. It was thus only after decolonization that the language of the colonizer fully penetrated the entire social body and emerged as predominant language of the newly independent nation-state. Does this paradox not lie at the core of all independent postcolonial states: their independence signifies not a return to a pre-colonial condition, but the adoption of that very form of the nation-state brought by the colonizers?››.

Linhas

Quarta-feira, Maio 26th, 2010

Diz-se que uma linha une dois pontos.

Mas esta, como outras, divide dois semi-planos.

Pelo que união e separação podem cozer-se, perfeitamente, com a mesma linha.

O facto é não se pode fumar no hospital e os sinais de proibido estendem-se, no exterior, por todo o quarteirão. Logo os funcionários, vestidos de funcionários, atravessam a rua para fumar (que mau exemplo). Os doentes, alguns trazendo o soro, outros na cadeira de rodas, passam para o outro lado do passeio para fumar.

Aquela rua é a “state line”, divide o Kansas do Missouri, de modo que sempre que querem fumar funcionários e utentes do hospital mudam de estado para fumar.

É por isto que sabemos que todas as linhas são imaginárias … pelo menos as direitinhas, que pelas tortas …

visita papal

Segunda-feira, Maio 17th, 2010

O papa trouxe-nos o ivangelho.

“A recuperação”

Sábado, Abril 10th, 2010

Recuperação ou fisioterapia?

Mesmo que o corpo seja o futuro um de velho caquéctico, não seria mais científico falarmos de “fisioterapia económica”.

Assim, mesmo que o tratamento não resulte, nunca nos enganaremos com a ideia de que (no final) haverá recuperação.

Dir-se-á: ‹‹fez-se o que se pôde …››.

A alegria do artesão

Domingo, Fevereiro 28th, 2010

Na caverna o oleiro não consegue vender os bonecos e tem de fazer parar o  forno. Este feitiço estender-se-á logo a todas as fábricas. A produção torna-se desnecessária tal como os trabalhadores. A fábrica já não é precisa nem como aparelho produtivo, nem tem valor como instrumento disciplinador.

Libertos do trabalho os homens descobrem a única alegria possível no mundo económico. Não, não é o consumo. Não, não é a produção de teoria capitalista ou socialista. Toda a alegria estava nesse momento em que eram artesãos. A alegria do artesão que investe o seu tempo e perícia num objecto de um mundo a que pensa pertencer. Que terminado o objecto o limpa e põe na montra e que com ele na mente começa a executar um novo que será ainda melhor, mais perfeito.

fim-de-semana

Sábado, Janeiro 30th, 2010

Às sexta-feiras à tarde alguns problemas parecem ficar mais longe; dois dias. Entregando-nos ao ócio ou, às vezes, a um trabalho menos oprimido, tudo parece respirar melhor, até os nossos pulmões.

Parece que nos podemos encher da esperança que faz resolver tudo num simples passear no parque. E de facto, pode ser sempre assim …

É só esperar que venha bom tempo.

Para ser sempre fim-de-semana.

Já agora, é quase domingo e fim-do-mês.

Como o mundo é pequeno…

Terça-feira, Janeiro 26th, 2010

para as nossas pegadas ecológicas.

Somos o “big foot”?

Mais uma vez lembro(-me)

Não é “como o mundo é pequeno” é “como nós somos grandes”.

O bom vinho é aquele que consegue envelhecer.

Sexta-feira, Janeiro 22nd, 2010

As pessoas também.

Algumas  com o tempo azedam; por força da sua estrutura (ou falta) é-lhes impossível envelhecer (bem).

Outras, as que sabem envelhecer

são  um sacrilégio consumirem-se.

Uma mensagem chega sempre ao seu destino

Sexta-feira, Novembro 20th, 2009

Recebo um sms:

‹‹Deskulpa a MSG n era para ti››

Não há mensagem anterior.